De repente, Bill, parecendo tomar coragem, disse a Vítor que gostaria de lhe mostrar algo simplesmente espectacular e que iria deixar o seu nome na história. Algo incrível e que iria maravilhar Vítor, mas que este não poderia, sob condição alguma, contar a ninguém.
“Trata-se de um último projecto de gigantescas dimensões em que estou envolvido com outras pessoas para atingir um objectivo: o de deixar o meu nome na história. Estou tão feliz que não resisto a compartilhar a minha felicidade. Acho que você é um bom homem e não é por acaso que Deus o enviou a minha casa hoje. Venha comigo. Miss Mara ficará muito bem na companhia da minha mulher e da minha filha.”
Vítor seguiu-o até um escritório com estantes altas cheias de livros. Em cima da secretária estavam espalhados alguns papéis e um deles, rasurado como se tivesse sido anteriormente dobrado, parecia ser um mapa, mas não era nítido que tipo de mapa era nem a que se referia. Bill Maxwell carregou num botão por baixo da secretária e por trás dele, um quadro abriu-se como se fosse a porta de um armário, fazendo surgir um compartimento, uma espécie de cofre embutido, onde havia várias garrafas e alguns copos.
“Sirva-se Vítor, tem aí Whisky, Cognac, Anis, Vinho do Porto, Champagne, enfim... sirva-se à vontade.”
“Tem alguma preferência, Bill?”
“Qualquer coisa... olhe, escolha um champanhe, eu confio no seu gosto, você é um especialista. Só tenho de fazer um telefonema importante em privado. Até já.” – informou Bill, saindo do escritório.
“Ok Bill. Até já!” – disse Vítor, tocado pela leveza do álcool.
“Já bebemos vinho, vinho do Porto, whisky, e agora champanhe...quero ver como é que vou sair daqui hoje...” pensava Vítor. Olhou para o relógio de pulso que indicava o aproximar da meia-noite. “Bom, vamos então ao champanhe”. Procurou seleccionar a garrafa de Champagne mas logo se deu conta que já não estava em condições de ser muito criterioso, por isso, acabou por escolher a garrafa de champanhe que estava mais à frente e colocou-a em cima da secretária. Enquanto abria, ficou curioso em relação ao mapa que estava ali pousado e que havia visto quando entrara naquele escritório. Imaginou que fosse um mapa para um tesouro, mas censurou-se e atribuiu ao efeito do álcool aquela sensação. Em cima da secretária, viu uma lista de vários vinhos e os seus locais de origem ordenados numa coluna, com alguns valores à frente. Notou que eram quantias astronómicas porque viu muitos zeros à direita. Viu também algumas caixas de cd’s e livros empilhados. Notou que os cd’s eram todos de música clássica e que havia uma grande colecção deste género musical numa das estantes junto a ele porque, ao abrir a garrafa de champanhe, a rolha escapou-se antes do calculado e foi embater directamente nos cd’s. Retirou, rapidamente, dois copos do compartimento, recentemente aberto por Bill, para evitar sujar, ainda mais, a carpete com a corrente de champanhe que jorrava da garrafa. Encheu os dois copos e procurou, ao seu redor, um pano para limpar o champanhe derramado. De repente, ouviu um grito terrível que lhe pareceu vir do quarto ao lado. Correu para lá e encontrou Bill deitado no chão, ao lado da sua própria cama, ferido com dois tiros no peito. Vítor ficou, por segundos, paralisado, como se tivesse sido atingido por um raio.
“Vi...tor” – murmurou, com dificuldade, o moribundo.
“Sim, Bill. Vou chamar uma ambulância imediatamente.”
“Vi...tor” – voltou a murmurar, a custo, Bill Maxwell.
Vítor, apercebendo-se que o empresário americano lhe queria dizer alguma coisa importante, ajoelhou-se ao seu lado para o ouvir melhor.
“O mapa...não pode... cair.... em mãos...erradas. Leva-o... e destrói-o... é o meu... último... de...se...jo.”
Capítulo 8
Publicada por
Gonçalo Coelho
