Neste blogue pode ler os primeiros capítulos deste romance.

Capítulo 7

Tomás acordou. Preguiçosamente estendeu o braço sobre a mesinha de cabeceira ao seu lado, para ligar o computador portátil, com aquele sentimento de esperança que se havia tornado um vício seu, nos últimos meses. Esperava que aparecesse milagrosamente um e-mail que pudesse dar um rumo à sua vida. Sentia, no entanto, que a esperança era algo bonito mas nada eficaz. Preferia ter fé em vez de esperança até porque tinha lido recentemente, numa revista, que, segundo alguns especialistas, a fé era bastante benéfica, ajudando a aumentar a auto-confiança a alguns desportistas, por exemplo. De qualquer forma, apesar da preferência, Tomás não tinha fé, tinha somente esperança. Quem tem fé, evita a ansiedade e o stress, com a profunda crença que os milagres podem acontecer e acredita, inclusive, que fazendo tudo o que está ao seu alcance, acontecerá pura e simplesmente o que tiver de acontecer e que isso será sempre o melhor. Quem não tem fé mas tem esperança, sabe que em certas situações só um milagre pode salvar uma determinada situação, mas como não acredita em milagres, fica perdido e desiste. “A fé é algo sólido, enquanto que a esperança é muito ténue. A fé como diz o povo, move montanhas. Da esperança nunca se disse tal coisa.” - pensava Tomás de si para consigo.
Mesmo assim foi a esperança que fez Tomás ligar várias vezes o computador para verificar a caixa de e-mails mesmo sabendo que uma boa resposta, como ele realmente precisava, só chegaria por telefone e que verificar os e-mails de trinta em trinta minutos não prestaria auxílio nenhum ao seu caso. A única razão porque Tomás não perdeu a esperança foi simplesmente porque, sem esperança, a sua vida perderia totalmente o rumo. Tomás olhou os e-mails, uma vez mais, e nada... Em contrapartida o telefone começou a tocar.
“Sr. Tomás Vieira?”
“É o próprio.”
“O senhor enviou o seu currículo para o cargo de Gestor de Negócio na St. Helens Wineries?”
“Sim.”
“Sei que se candidatou para Londres, mas estaria interessado no mesmo cargo, na St. Helens Wineries em Curitiba, no Brasil?”
“Claro.” Quase gritou.
“Estaria disponível para uma entrevista amanhã à tarde, em Lisboa?”
“Claro.”
Quando Tomás acabou de anotar o endereço sentiu-se como um homem novo e o mundo à sua volta parecia infinitamente mais belo e mais poético. Via erguer-se, finalmente!, a cortina que se abatera sobre a sua vida. Um sentimento de renovada esperança encheu-lhe o coração. Animado, resolveu sair e tomar um café com Maria, para festejar a nova esperança que havia surgido. Tomás começava a abrir-se de novo aos amigos e à vida.