Libertos da pressão do tempo Vítor e Mara conversaram sobre vinhos, a região de Napa Valley, o Brasil e São Francisco. A certa altura Vítor arriscou um convite para jantar.
“Sabe, tenho vontade de sair desse movimento de cidade grande e ficar mais próxima da natureza.” – disse Mara, sem responder directamente ao convite de Vítor. – “Você tem carro?”
“Claro. Vamos a isso então.” – disse Vítor, lançando imediatamente um olhar na direcção de um empregado de mesa para pedir a conta.
“Se você tiver de ir trabalhar, me diga. Não quero atrapalhar.”
“Não há qualquer problema. Terei o maior prazer.”
“Tem certeza?” – insistiu Mara.
“Claro. Será um prazer viajar com uma companhia tão bonita e interessante.” – respondeu Vítor, galante.
“Volto em dois segundos.”
Mara levantou-se e dirigiu-se ao toilette feminino. Vítor observou-a até desaparecer por trás de um biombo. Pegou de imediato no telemóvel e fez um telefonema.
(...)
Minutos depois, Vítor proporcionava uma pequena visita guiada a Mara e ambos percorriam de carro a São Francisco vibrante, cheia de cores, formas, sons e sensações que se impunham ao espírito. Seguiram ao longo da Van Ness Avenue, ladearam a fachada do City Hall e inicaram a escalada de uma das mais de 50 colinas que integram a cidade de São Francisco e que são responsáveis por proporcionar, juntamente com o azul da baía a Oriente e o Oceano Pacífico a Ocidente, um enquadramento urbano, esplendoroso e famoso no mundo inteiro – cenário, por exemplo da mítica perseguição do filme Bullit de 1968, protagonizada por Steve McQueen ao volante de um Ford Mustang. Ao longo da Van Ness surgiram vários eléctricos, conhecidos localmente como Cable Cars, para dentro dos quais vários transeuntes saltavam em movimento, em busca de um meio mais confortável para transpôr a íngreme colina. Vítor tomou a direita para a Broadway e ao inicar a descida, o espectáculo visual surgiu deslumbrante. Como pano de fundo, as águas calmas da baía beijando o céu limpo e a ponte para Oakland. Em primeiro plano, um conjunto fascinante de edifícios, salteado com vários gigantescos arranha-céus que relectiam o brilho do sol, como a Transamerica Pyramid, o mais alto edifício de São Francisco - duzentos e sessenta metros de altura em forma de pirâmide, distribuídos por quarenta e oito andares e revstido por painéis de alumínio. Ao fundo da descida entraram na Columbus Avenue e no coração do bairro italiano – mais conhecido como Little Italy – e da Beat Generation, movimento do qual o escritor Jack Kerouac se tornou um dos principais ícones. Mais adiante, Grant Avenue e China Town, uma fiada de quarteirões com inúmeras lojas e reclames chineses. Vítor enveredou, em seguida, para o extremo Norte da cidade e ladeou a baía, de modo a avistar a ilha da infame prisão de Alcatraz e, pouco depois, a vista alcançava já outro dos mais famosos ícones de São Francisco: a ponte Golden Gate. Enquanto atravessavam, Mara comentou que tinha ouvido falar que, do outro lado, havia uma zona muito pitoresca, chamada Sausalito, com casas muito bonitas e típicas, viradas para a linda baía de São Francisco.
“Isso é fácil e até vamos a tempo de apanhar o pôr-do-sol, visto da ponte, no regresso!” – respondeu Vítor, aceitando, prontamente, a sugestão.
