Neste blogue pode ler os primeiros capítulos deste romance.

Capítulo 15

Após testar os três cd’s no seu computador, Vítor verificou, com desagrado, que continham apenas música absolutamente normal. A Nona Sinfonia, perfeitamente masterizada. Insatisfeito, Vítor não se deu por vencido e decidiu levar os cd’s a um amigo, Gary Newell, que trabalhava numa reputada empresa de protecção de dados informáticos em San Rafael, localidade situada a escassos quilómetros de São Francisco. Gary pediu-lhe que deixasse com ele os três cd’s para poder analisar depois do horário de trabalho. Vítor regressou ao seu escritório, nas imediações do Civic Center, ansioso e esperançado. Ao final da tarde, resolveu tomar uma cerveja ali perto e, ao entrar no bar, reparou com estranheza que várias pessoas fixavam o olhar num ecrã de televisão que se encontrava num ponto alto, acima do balcão. Na imagem via-se uma repórter à porta da moradia dos Maxwell em Sausalito.
“A polícia divulgou hoje, em conferência de imprensa, ter descoberto um labirinto subterrâneo na casa dos Maxwell, por onde se suspeita que terá escapado o assassino do empresário Bill Maxwell. Este labirinto subterrâneo, segundo a polícia, possui apenas três saídas: uma no escritório, outra na suite do casal contígua ao escritório, e uma outra que dá acesso ao exterior, a quinhentos metros da entrada da moradia. Este é considerado um dos maiores túneis subterrâneos jamais construídos para casas particulares.” – informava a repórter.
“Então foi assim que o assassino escapou...”, pensou Vítor. “Bem me parecia que não tinha ouvido nenhum motor de barco. Aquela janela aberta foi só para divergir as atenções.”
Vítor sentou-se a uma mesa e pediu uma cerveja gelada. Nesse instante o seu telemóvel tocou.
“Vítor, acho que descobri alguma coisa.”
“Sim? O quê, Gary?” – perguntou Vítor.
“Um dos cd’s contém algo que parece um mapa incompleto e sem quaisquer referências, ou seja, não dá para ter a mínima ideia do local a que se refere. Provavelmente só o dono do cd nos poderia dizer.”
“Pois, mas isso está completamente fora de questão.” – disse Vítor, enquanto dava um gole na cerveja que tinham acabado de lhe trazer. Justamente enquanto a saboreava Vítor teve uma ideia luminosa. Começara a desenhar-se na sua mente a possibilidade do mapa combinar, de alguma forma, com o que Mara tinha agora na sua posse.
“Parece-te possível que esse mapa esteja incompleto, Gary?” – perguntou Vítor.
“Sim, é uma hipótese. Talvez este mapa seja apenas uma camada, entre várias. É o que acontece, por exemplo, com os ficheiros do AutoCAD. Este mapa pode ser apenas uma de várias camadas que juntas constituem um desenho completo. Pode haver até uma camada só com referências escritas. Claro, isso é possível.”
“Deve ser isso”, pensou Vítor, “Falta o mapa que estava em cima da mesa do velho Maxwell e que a Mara tem na sua posse.”
“Bom trabalho, Gary, obrigado. Podes fazer umas cópias disso para eu depois ver no meu computador?”
“Claro.”
“Faz-me então umas cinco cópias. O que achas de irmos ao restaurante tailandês da Second Street? Logo às nove no restaurante? Eu ofereço, claro.”
“Ok Vítor. Combinado. Até logo.”
Vítor desligou o telemóvel com uma só certeza, a de que teria de voltar a encontrar Mara, a jornalista misteriosa. Era ela quem tinha o mapa em papel e, possivelmente, outras valiosas pistas para a resolução do mistério. Era necessário encontrá-la para poderem juntar o puzzle. Teriam de desvendar este mistério juntos.