Neste blogue pode ler os primeiros capítulos deste romance.

Capítulo 14


Vítor tocou a campainha da casa dos Maxwell em Sausalito e foi recebido pela própria Martha Maxwell que logo o convidou a entrar. As suas feições denotavam sobretudo tristeza e dor. O português cumprimentou respeitosamente a viúva e transmitiu-lhe os seus pêsames pelo falecimento do marido. Disse-lhe que, apesar de não o ter conhecido bem, tinha a certeza que fora uma pessoa excepcional. Kate Maxwell, a filha mais velha do falecido, também estava presente. Ambas sentiam muito a falta de Bill. Kate contou-lhe como ele era bondoso e carinhoso com todos naquela casa. Entretanto, Martha pediu desculpas e retirou-se, abalada com os acontecimentos recentes. Kate quis saber se o pai havia dito alguma coisa sobre a razão da sua enorme felicidade no dia da sua morte. Vítor respondeu que, realmente, Bill lhe ia revelar a razão da sua felicidade e que tinha sido por isso que se dirigiram ao escritório mas nunca chegara a dispôr de tempo suficiente para o fazer.
“Como é possível alguém desejar matar um homem como o meu pai, respeitado por todos, na família e nos negócios?” – perguntou Kate, plena de indignação.
Vítor procurou reconfortá-la como pôde e, a certa altura, referiu que pensava ter deixado um documento importante no escritório do falecido, na fatídica noite do crime, e perguntou educadamente a Kate se lhe permitiria dar uma vista de olhos rápida no escritório.
“Claro. Eu acompanho-o mas devo adverti-lo que a polícia já vasculhou tudo.”
“Não precisa incomodar-se, Kate. Eu mesmo vou e volto num segundo.” – disse Vítor prontamente e encaminhou-se para o local onde o crime fora perpetrado: a suite de Bill e Martha.
Tal como havia planeado, olhou precisamente para o local onde Bill Maxwell havia direccionado o seu olhar, mesmo antes de falecer. Teria sido apenas uma ilusão? Não havia nada de interessante naquele ponto, apenas um bonito retrato das suas duas filhas, pendurado na parede, com um cenário campestre no fundo. Vítor olhou atrás do quadro mas só encontrou a parede que lhe pareceu bastante sólida. De súbito, lembrou-se dos cd’s de música clássica que vira na noite do crime, no escritório, e lembrou-se de procurar pelo cd da Nona Sinfonia de Beethoven. Dirigiu-se para o escritório.
“Encontrou, Vítor?” – perguntou Kate, da sala.
“Não. Nada, ainda. Já vou descer.”
Vítor olhou para a estante onde ficavam os cd’s de música clássica e reparou que ficava exactamente por trás da parede onde Bill Maxwell havia direccionado o seu olhar nos últimos segundos de vida. Procurou e viu, não um, mas três cd’s da Nona Sinfonia de Beethoven. Resolveu colocar os três na sua pasta, rapidamente.
Desceu e despediu-se de Kate, endereçando os devidos cumprimentos a Martha. Em seguida, meteu-se no carro e dirigiu-se para o seu escritório.